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Os efeitos da Radiação Ultravioleta (R-UV) podem ser benéficos à saúde humana, como a produção de ergosterol em vitamina D3 [11], fator essencial para o depósito de cálcio nos ossos em crescimento. Além disso, evidências de benefícios da exposição ao sol são estudadas na prevenção de diversos tipos de doenças, tais como diabetes, osteoporose e cardiopatias [05]. Entretanto, a exposição prolongada ou repetida a essa radiação pode levar ao desenvolvimento de diversas enfermidades da pele e nos olhos.
Segundo [01], as reações da pele humana sob exposição da radiação solar podem ser classificadas como agudas ou crônicas. As reações agudas, como queimaduras, bronzeamento e produção de Vitamina D3, se desenvolvem e desaparecem rapidamente, enquanto as crônicas, como foto-envelhecimento e câncer de pele, têm aparecimento gradual e de longa duração. A diferença entre ambas reações se deve, principalmente, ao histórico de exposição de cada indivíduo e aos diferentes comprimentos de onda da R-UV, pois a R-UVB é cerca de 1000 vezes mais agressiva do que a R-UVA.
A queimadura ou eritema é a principal reação da pele à exposição excessiva aos raios solares [10]. O avermelhamento da pele, que atinge grau máximo em 8 a 12 horas e desaparece após 1 ou 2 dias, para o caso de pessoas de pele clara com exposição ao sol nos horários próximos ao meio dia, é resultado do aumento do fluxo de sangue devido à dilatação dos vasos sanguíneos mais superficiais. Altas doses de R-UV também podem provocar edemas, bolhas e descascamento da pele após alguns dias. Além do tempo de exposição, o fenótipo é outro fator que influencia o aparecimento de queimaduras solares. Indivíduos com a pele mais clara têm maior facilidade para desenvolver um processo eritematoso do que indivíduos morenos ou negros. A cor dos olhos, cor dos cabelos e a presença de sardas também são fatores importantes na determinação da susceptibilidade de um indivíduo às queimaduras solares. Segundo [07], a sensibilidade eritêmica também varia de acordo com a parte do corpo humano, sendo que o rosto, o pescoço e o tronco são de duas a quatro vezes mais sensíveis que os membros. Essas diferenças anatômicas se referem a quantidade média de energia ultravioleta recebida pelo corpo, na vertical, quando em exposição à radiação solar. Lembramos que os trabalhadores que exercem atividades ao ar livre, em geral, fazem isso na posição vertical.
O ressecamento da pele, rugas e marcas profundas, perda da elasticidade e a pigmentação excessiva de cores e formas variadas são sinais do envelhecimento precoce causado pela exposição ao sol [02]. Estas características são sintomas que refletem mudanças relevantes na estrutura da derme. A maioria dos dermatologistas aponta que cerca de 80% das razões do foto-envelhecimento de uma pessoa, com exceção daquelas que exercem atividades diárias sob o sol, é fruto da exposição excessiva a R-UV até os 20 anos de idade. [06] identificaram que apesar dos adolescentes da Nova Zelândia terem consciência dos perigos da radiação solar, ficam em sua maioria expostos ao sol sem a proteção adequada. Portanto, os trabalhadores que são expostos diariamente à radiação solar, sem a proteção adequada, estão sujeitos aos efeitos de foto-envelhecimento, especialmente aqueles que iniciaram suas atividades trabalhistas antes dos 20 anos de idade.
Os carcinomas espinocelular e basocelular são comumente denominados como do tipo Câncer de Pele Não-Melanoma (CPNM) [03], causados pela exposição excessiva ao sol e ambos devem ser tratados cirurgicamente. O Melanoma Cutâneo é uma neoplasia maligna cutânea que se origina nos melanócitos ou células névicas, possui crescimento rápido, grande potencial de metástase e pode ser fatal. Apresenta-se como uma mancha de contornos irregulares, em diferentes tons de castanho e negro. O tratamento deste tipo de enfermidade é essencialmente cirúrgico, precedido por exames histopatológicos para que se determine a profundidade da invasão e as eventuais possibilidades de metástase. [04] avaliaram que, excluindo a susceptibilidade genética, a idade da pessoa é um dos principais fatores de risco devido ao efeito cumulativo da exposição ao sol. Segundo [02], a principal forma de prevenção deste, e de qualquer outro tipo de câncer de pele, é o cuidado na exposição ao sol, principalmente durante a infância e adolescência. [09] avaliaram a climatologia do IUV e o número de casos de câncer cutâneo na região de Presidente Prudente – SP, identificando que na maior parte do ano o IUV apresenta valores extremos e que, entre 1999 e 2004, 8.063 novos casos de câncer cutâneo foram registrados.
A exposição dos olhos à R-UV como uma função das componentes difusa e direta da radiação solar foi estudada por [08]. Os danos causados à vista podem ser divididos em dois tipos distintos de acordo com a forma de exposição: curtas exposições a intensas quantidades de radiação e longas exposições a baixas intensidades de radiação [01]. No primeiro caso, o elemento que mais sofre é a córnea, as manifestações são agudas e surgem após um período de latência; no outro caso, o cristalino e a retina são os mais atingidos. Em ambos os casos a manifestação pode se tornar um processo crônico, mesmo que seja decorrente de um processo agudo. Ainda que não haja uma determinação exata da susceptibilidade do olho à radiação, é certo que doses elevadas produzem fotoconjuntivite (inflamação da conjuntiva) e fotoqueratite (inflamação da córnea). Porém, exposições prolongadas, mesmo a baixas intensidades, podem também produzir catarata, pterígio ou alguns tipos de carcinomas, que podem ser irreversíveis ou exigir uma intervenção cirúrgica [08].
Considerações adicionais e maiores detalhes com respeito aos efeitos da radiação solar sobre a saúde dos seres humanos podem ser obtidos de [01] e de [03].
Referências Bibliográficas
[01] CORRÊA, M. P. Índice Ultravioleta: Avaliações e Aplicações. 2003. 243 f. Tese (Doutorado) - IAG/USP, São Paulo, 2003.
[02] DIFFEY, B. L.. Solar ultraviolet radiation effects on biological systems. Physics In Medicine And Biology, v. 3, n. 36, p.299-328, 1991.
[03] DRUGGE, M. D. R.; DUNN, H. A..The eletronic text of dermatology: The internet dermatology soc.. Disponível em: <http://www.telemedicine.org/stamford.htm>. Acesso em: 02 jul. 2006.
[04] FEARS, T. R.; SCOTTO, J.; SCHNEIDERMAN, M. A.. Mathematical models of age and ultraviolet effects on the incidence of skin cancer among whites in the United States.American Journal Of Epidemiology, v. 105, n. 5, p.420-427, 1977.
[05] HOLICK, M. F. Vitamin D: importance in the prevention of cancers, type 1 diabetes, heart disease, and osteoporosis. American Journal of Clinical Nutrition. Boston, v. 79, n. 3, p.362-371, mar 2004.
[06] MCGEE, R.; WILLIAMS, S.. Adolescence and sun protection.The New Zealand Medical Journal, v. 943, n. 105, p.401-403, 1992.
[07] OLSON, R. L.; SAYRE, R. M.; EVERETT, M. A.. Effect of anatomic location and time on ultraviolet erythema. Archives Of Dermatology, v. 2, n. 93, p.211-5, 1966.
[08] PARISI, A. F.; GREEN, A.; KIMLIN, M. G.. Diffuse solar ultraviolet irradiation and implications for preventing human eye damage. Photochemistry And Photobiology, v. 2, n. 73, p.135-139, 2001.
[09] SILVA, A. C.; TOMMASELLI, J. T. G.; CORRÊA, M. P.. Climatologia do Índice UV e os Casos de Câncer Cutâneo na Região de Presidente Prudente – SP, Brasil. In: IV CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMETEOROLOGIA, Ribeirão Preto. Mudanças Climáticas, impacto sobre o homem, a planta e o animal, 2006.
[10] URBACH, F.. The biologic effects of ultraviolet radiation. Pergamon Press, Oxford, 704 p., 1969.
[11] WEBB, A. R.; HOLICK, M. F.. The role of sunlight in the cutaneous production of vitamin D3. Annual Review Of Nutrition, n. 8, p.375-99, 1988. |