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 Florianópolis, 04/07/2009 
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  Calor e Saúde
 

CALOR E SAÚDE

 

Aproximadamente 400 pessoas morrem por ano devido a exposição ao calor. Nosso corpo dissipa calor variando a taxa e profundidade da circulação sanguínea, pela perda de água através da pele, glândulas de suor e, como último recurso, através da respiração, quando o sangue é aquecido a uma temperatura superior a 37 °C. Portanto, a pessoa quando está suando esfria o sangue através da evaporação. Entretanto, a umidade relativa do ar estando alta retarda a evaporação, tirando do sangue a sua habilidade de se auto resfriar. Se esse processo ocorre durante certos períodos de tempo, o nível da temperatura do corpo poderá elevar ainda mais, favorecendo a ocorrência de doenças relacionadas ao calor.

 

Patologias Produzidas pelo Calor

Os transtornos provocados pelo calor são resultado do fracasso dos mecanismos fisiológicos que mantém a temperatura corporal ante uma sobrecarga de calor interna ou ambiental. A exposição a altas temperaturas sem perda de calor eficiente pode levar a cãibras, esgotamento devido ao calor ou golpe de calor. Outros problemas menores de calor são edema das extremidades e rash cutâneo. A mortalidade devido a uma exposição ao calor é atribuída em parte a um agravamento súbito das patologias pré-existentes, chamadas cárdio-respiratórias. Em outros casos a mortalidade pode estar associada ao golpe de calor.

Cãibras por Calor: São contrações musculares dolorosas do abdômen e das extremidades que pode acontecer devido a exposição ao forte calor, sobretudo quando se transpira muito após uma atividade física intensa. As cãibras podem ser resultado de uma hidratação inadequada somente com água, sem substituição dos electrólitos. São especialmente perigosas em pessoas com problemas cardíacos ou dietas hipossalinas. Para esses casos, aconselha-se repousar em lugar fresco e calmo, não realizar atividades que exijam muito esforço durante várias horas, beber sucos de fruta ou uma bebida com minerais (desportiva) e consultar o médico se as cãibras durarem mais de uma hora.

Esgotamento Devido ao Calor: É uma conseqüência da alteração do metabolismo hidroelectrolítico provocada por uma excessiva perda de água e electrólitos devido a transpiração. Acontece durante vários dias de calor. É especialmente grave nos idosos. O esgotamento manifesta-se com diferentes sintomas, tais como: desmaio, cansaço, dor persistente e violenta de cabeça, suor, palidez, cãibras, náuseas e vômitos; a pele pode estar fria, a respiração é rápida e superficial.

Em geral, o tratamento inclui o afastamento do ambiente quente e a reposição da perda de líquidos e electrólitos. O paciente deve repousar em lugar fresco, beber água, suco de fruta ou uma bebida energética diluída com água. Convém chamar o médico se os sintomas piorarem ou durarem mais de uma hora ou então se a pessoa tiver problemas cardíacos ou de pressão alta.

Golpe de Calor: É resultado de uma insuficiência aguda da termorregulação e constitui uma urgência médica extrema, de ocorrência súbita e fatal se não for tratada rapidamente. Os sinais variam e podem incluir alguns dos seguintes sintomas: dor persistente e violenta de cabeça, tonturas, confusão, temperatura corporal muito elevada, pele vermelha, quente e seca, pulso rápido, perda de consciência e diminuição da sudação (efeito de suar). Deve-se procurar ajuda médica imediata, levar a pessoa para a sombra ou lugar fresco e usar os métodos possíveis para baixar imediatamente a temperatura, por exemplo, a submersão numa banheira de água fria ou sob uma ducha fria, molhar a pessoa com uma mangueira ou esponja, aplicar compressas de água fria, envolvê-la com lençóis molhados caso a umidade esteja baixa e encontrar algum meio de arejar a pessoa (abanado-a ou com uso de ventilador). Também é prudente a aplicação de sacos de gelo, dentro de um pano úmido, no pescoço, na nuca, axilas e virilhas. Se ocorrerem calafrios a perda de calor deve ser mais lenta porque estes aumentam a temperatura. A temperatura corporal muito elevada pode afetar o cérebro e outros órgãos vitais. Diminuir o tempo em que o corpo permanece acima da temperatura crítica tem uma influência crucial no prognóstico e no resultado. Ocorrência como isquemia do miocárdio, choque, arritmia, insuficiência renal, síndrome de dificuldade respiratória do adulto, insuficiência hepática ou comprometimento neurológico, levam a mortalidade de 10 % dos doentes. Com um tratamento rápido as complicações são raras.

 

População em Risco

Períodos com calor excessivo provocam desconforto em toda a população, mas são mais vulneráveis e necessitam de maior atenção as crianças nos primeiros anos de vida, os idosos, alguns doentes crônicos (como os portadores de doenças cardíacas, respiratórias ou diabetes), doentes mentais, pessoas acamadas e obesas. Para esses indivíduos, os mecanismos de regulação da temperatura poderão ter a sua eficácia comprometida, diminuindo a capacidade de adaptação ao calor. Os idosos são particularmente vulneráveis devido ao maior risco de desidratação ligado a diminuição da sensação de sede e das capacidades de termorregulação por transpiração e ao menor controle do equilíbrio hidroelectrolítico. A freqüente presença de várias patologias e tratamentos associados e, em alguns casos, a perda de autonomia incapacita as pessoas mais idosas de adaptar o seu comportamento ao calor. As pessoas dependentes (crianças, lactentes, deficientes, idosos) estão em maior risco de desidratação e requerem a atenção dos familiares ou dos prestadores de cuidados. As pessoas com doenças mentais apresentam maior risco pela própria patologia e pela menor consciência que possuem sobre os perigos que representa o calor. Por outro lado, os tratamentos com psicotrópicos são susceptíveis de perturbar os mecanismos de termorregulação. Em doentes crônicos, o calor pode agravar a patologia já instalada ou contribuir para o seu desencadeamento. As doenças cardiovasculares, a insuficiência renal e as patologias endócrinas (como a diabetes) podem agravar-se em caso de desidratação. A arteriosclerose e a diabetes podem diminuir a resposta vascular vasodilatadora. A doença cardiovascular pode limitar a capacidade para aumentar adequadamente o débito cardíaco.

Estão igualmente em risco as pessoas com condições de vida ou trabalho que as tornem mais vulneráveis, como o isolamento social, a prática intensa de desporto, o trabalho físico ou em ambiente muito aquecido.

 

Conselhos Práticos

A morte e morbilidade relacionadas com o calor podem ser evitadas. Seguem abaixo alguns procedimentos para prevenir os efeitos do calor excessivo:

  1.  
  2. Limitar o aumento da temperatura no domicílio ou local de trabalho: fechar cortinas ou persianas das janelas ao sol, ventilar o ambiente no período da manhã, ao fim da tarde e a noite para permitir a circulação de ar fresco. O uso de ventoinhas pode ser uma forma de baixar um pouco a temperatura;
  3.  
  4. Evitar a exposição ao sol especialmente nas horas do meio dia, permanecendo em espaços acondicionados ou ventilados. Se o ambiente de casa ou trabalho não possuir ar condicionado, procurar passar algum tempo em sítios públicos com ar condicionado, como um cinema ou centro comercial, em caso de calor extremo. Se for necessário ir a edifícios sem ar condicionados ou transitar em ambientes externos sob o sol, principalmente aquele com aglomerado de pessoas, procurar ir logo pela manhã para fujir do calor;
  5.  
  6. Não permanecer em automóveis estacionados no sol, em especial nas horas de maior calor ou se pertencer aos grupos mais vulneráveis. Bebes e pessoas mais idosas não devem ir a praia ou ambientes externos quentes, como o centro das cidades, em dias de maior calor;
  7.  
  8. Se for necessário a exposição ao sol, usar chapéu, roupa leve (de fibras naturais como algodão), confortável e de cores claras, óculos e protetor solar;
  9. Sempre que possível procurar locais à sombra e arejados para descansar um certo período de tempo. Diminuir a atividade física, especialmente em ambientes quente e úmido;
  10.  
  11. Refrescar-se regularmente, tomando banhos de ducha, vaporizando o rosto com aerossol de água e reduzindo a roupa de cama;
  12.  
  13. Aumentar a ingestão de líquidos mesmo ser estar com sede, para manter uma hidratação adequada, pois é comum a sede das pessoas ser menor do que a necessidade hídrica do corpo. Beber no mínimo 1,5 a 2 litros por dia, exceto no caso de contra-indicação médica. Quando realizar exercício físico, beber sem a necessidade de ter sede, antes, durante e após o exercício;
  14.  
  15. Deve-se repor os sais minerais, isso pode ser feito com sucos de fruta que contém no seu estado natural ou, caso não seja possível, com produtos que os contenham, como as chamadas bebidas de desportistas. Se houver indicação de dieta hipossalina ou em insuficiência renal, é aconselhável consultar o médico antes de beber estes produtos. É útil também ingerir soluções de hidratação oral;
  16.  
  17. Não consumir bebidas alcoólicas porque alteram a capacidade de resistência ao calor e favorecem a desidratação. Evitar também as bebidas com alto conteúdo de cafeína ou muito açucaradas pois são diuréticas e causam maior perda de líquidos. Cuidado com as bebidas muito frias que podem provocar cãibras no estômago;
  18.  
  19. Evitar comer em grande quantidade, alimentos pesados ou com muitos condimentos. Consumir frutas (melão, ameixas) e vegetais ricos em água (tomate), mas com cuidado, na limpeza e manipulação higiênica;
  20.  
  21. Não deixar de telefonar para a família, vizinhos ou profissionais da saúde se sentir-se mal por causa do calor. As pessoas que vivem sozinhas, especialmente as idosas, devem pedir a alguém que as contate duas vezes por dia durante um período de dias excessivamente quentes, para saber se estão bem.

 

As informações apresentadas aqui foram obtidas integralmente de:

http://www.ordemfarmaceuticos.pt/ordemfarmaFiles/files/ofFileS1_1236.pdf

 
 

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